Uma mensagem de um idealista apaixonado pelo município de Costa Marques

29/12/2017 00:00:00 Artigos
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Refletindo sobre a triste situao de Costa Marques




Hoje (29.12.2017) resolvi fazer uma homenagem à população do município de Costa Marques porque na véspera de ano novo sempre vêm pensamentos positivos para planejar 2018. À primeira vista foi lembrar do povo simples e acolhedor residente neste lugar que faz divisa com a Bolívia. No ano de 1999, tive o prazer de conhecer pela primeira vez a cidade de Costa Marques e de lá para cá construí bastante amizade com as pessoas mais pobres e humildes, como os ribeirinhos, os índios, os pescadores, os seringueiros, os quilombolas, os agricultores e tantos grupos sociais que fortalecem a vida de qualquer um que tem afinidade com a vida sofrida levada pelos mais abandonados e mais desassistidos da sociedade.

 

Nunca entendi porque Costa Marques passe dificuldade para se desenvolver e aos poucos fui percebendo os motivos pelos quais o município sofre e não cresce, diferentemente de outras cidades, como por exemplo, São Francisco do Guaporé, criado em 1995, do qual era um distrito de Costa Marques, que tem tradição e história há 95 anos. O maior problema do município sempre foi a corrupção, isto é, difícil dizer qual foi o ex-prefeito que não desviou o pouco dinheiro que havia para ser investido no social e às famílias mais carentes residentes em Costa Marques. Sonhei que um dia essa situação mudaria e logo haveria de começar uma nova história pela reconstrução do município. Esse momento achei que teria início em 2017, com a nova administração para alavancar Costa Marques tirando-a do marasmo que atormenta a população e a inquieta, porém pacífica da qual agüentou até hoje tanto atraso com relação ao setor público minicípal, que sempre impediu o cidade de ser forte e pujante.

 

Em agosto de 2016, resolvi participar da campanha do atual prefeito de Costa Marques como advogado da coligação que o elegeu chefe do poder executivo para o período de 2017 a 2020. Passado o processo eleitoral, em meados de outubro de 2017, Mirandão me escolheu para ser o coordenador da equipe de transição do processo da transição do ex-administrador para o atual, onde percorri todos os setores da prefeitura durante três meses analisando e coletando informações sobre a situação do município, particularmente sobre questão financeira e da realidade do funcionalismo público. Nesse período, tive uma idéia de promover uma semana de encontro com algumas pessoas que seriam a partir de janeiro de 2017 novos secretários da administração e realizamos ótimos debates sobre a triste situação financeira de Costa Marques e como enfrentar essa desafio de tirar o município da inadimplência e dotar o tesouro fazendário de renda para dar suporte financeiro no cumprimento de inúmeras obrigações, especialmente com os quase 700 servidores da prefeitura, que até hoje não receberam o salário de dezembro de 2016, herança maldita deixada pelo ex-prefeito Chico Território.

 

Após a posse de Mirandão no dia 01.01.2017, fui nomeado procurador geral do município e fizemos uma reunião para planejar as ações prioritárias e a equipe aceitou minha sugestão de que por algum tempo nenhum secretário, prefeito, vice-prefeito e o procurador geral não receberiam salário nenhum, o que foi aprovado e vigorado por dois meses, em razão dos inúmeros compromissos financeiros que a equipe tinha com despesas diárias na luta pela sobrevivência. O tempo foi passando e cinco meses depois percebi que para mim não dava mais para continuar porque o secretariado de Mirandão não tinha interesse de se reunir e promovemos apenas uma para discutir outra idéia minha de decretar estado de calamidade financeira no município pelo período de 180 dias, que foi rejeitada por todos os presentes, e eu fiquei sozinho com essa proposta que minha concepção iria trazer grandes resultados positivos para equilibrar as finanças do município e conseguir dinheiro para quitar a folha salarial dos servidores, que sempre foi a minha maior preocupação, porém até agora continua essa situação que deixa o funcionalismo insatisfeito e revoltado por não ter conseguido receber até agora o seu merecido salário de dezembro de 2016.

 

O que mais me levou a pedir exoneração do cargo foi a falta de seriedade da grande maioria dos vereadores, particularmente da presidência da casa, que na minha opinião, sabota o trabalho do prefeito, que acho ingênuo em acreditar no legislativo municipal como parceiro na busca de soluções dos inúmeros problemas munucipais. Porém, acredito que nem o prefeito e nem o presidente da câmara têm a consciência da real situação financeira do município e não levam a sério a missão de administrar com responsabilidade, a cidade de Costa Marques que está clamando por socorro, dada ao tamanho da desigualdade social presente no local, onde a maioria esmagadora da população vive com menos de um salário-mínimo por mês e não fossem os programas sociais do governo federal, muita gente na atual conjuntura estaria passando enorme dificuldade para sobreviver.

 

Diante desse quadro, pensei comigo mesmo: o que fazer para ajudar o povo pobre de Costa Marques? Que tipo de ferramenta de trabalho ajudaria a mostrar à população que o município tem uma dívida na ordem de R$ 17.000.000,00 (dezessete milhões)? Então resolvi criar um site de notícias chamado de Girocentral em funcionamento há dois meses na região do Vale do Guaporé, com destaque quanto às informações sobre o que acontece de mais importante na política do município Costa Marques. Após disponibilizar este site aos interessados, comecei a escrever matérias e artigos falando da realidade do município, que compartilho nas redes sociais para que as informações do dia-a-dia da populaçao sejam lidas no próprio local e em outras áreas de maior abrangência. O site é um canal de reivindicação da população. É o povo falando e protestando contra essa falta de seriedade e responsabilidade dos dois principais gestores do município (prefeito e presidente da câmara), que fingem para as pessoas que o município está bem, que a folha de pagamento do servidor está em dia, que o município já recebeu várias “emendas” (papel), que deputado fulano de tal está dando total apoio à prefeitura, que em 2018 o município terá muito recurso para iniciar as obras que tanto o povo pede a assim por diante. Tudo falácia e demagogia, que felizmente o povo já percebeu que foi enganado e se não continuar cobrando atitudes dos gestores, o município entrará em colapso financeiro em pouco tempo, possivelmente a partir de maio de 2018, visto que o governo federal cortou 40% de repasse do tesouro nacional aos municípios. Vejo hoje em Rondônia apenas três municípios com gestores de visão e empreendorismo: São Francisco do Guaporé, Ji-Paraná e Teixeirópolis. Os demais vivem na gritaria implorando por socorro da União com os prefeitos de pires na mão. Prefeito comprometido com o povo é pouco no nosso Estado e 95% deles se elegeram apenas “preocupado” em se apropriar do dinheiro do contribuinte, na certeza da impunidade e na independência financeiramente. Outra ilusão, pois os órgãos de controle externo, principalmente os promotores públicos atuantes em Rondônia, estão exercendo suas atividades que são motivo de orgulho e elogio da maioria das pessoas que discordam da corrupção e pensam que somente será possível a construção de uma sociedade igualitária, solidária e respeitada se cada um de nós fizer o dever de casa porque dinheiro público não é capim e o agente político que está agindo contra o princípio da moralidade na administração pública municipal tem pouca oportunidade de prosperar diante da fiscalização exercida pela justiça pública em defesa da população que não compactua com a roubalheira do dinheiro publico .

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Texto: Ronan Almeida de Arajo proprietrio do site Girocentral e jornalista registrado no Ministrio do Trabalho sob o nmero 431/98/RO.

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