Bitcoin pode quebrar internet, afirma banco central dos bancos centrais

“Os volumes de comunicação associados poderiam travar a internet”, segundo o relatório.

marcos holanda casagrande 01/07/2018 22:33:34 Economia
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Foto: Produção




Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), conhecido como o banco central dos bancos centrais, acaba de dizer ao mundo que as criptomoedas não estão prontas para se popularizar — e, no que diz respeito aos serviços financeiros convencionais, talvez elas nunca estejam.


Em um artigo devastador de 24 páginas divulgado no domingo como parte de seu relatório econômico anual, o BIS afirma que o bitcoin e as moedas afins sofrem de “uma série de falhas” que impedem que as criptomoedas atendam às elevadas expectativas que geraram uma explosão de interesse — e de investimento — na classe de ativos em potencial.


Em uma de suas conclusões mais pungentes, o BIS analisou o que seria necessário para que o blockchain, software que sustenta o bitcoin, processasse as transações de varejo digital administradas atualmente pelos sistemas de pagamento nacionais. Os pesquisadores concluíram que, à medida aumenta o volume de transações registradas, isso acabaria sobrecarregando tudo, de smartphones individuais a servidores.


O BIS, uma instituição de 88 anos com sede na Basileia, na Suíça, afirmou que as criptomoedas são excessivamente instáveis, consomem eletricidade demais e estão muito vulneráveis a manipulações e fraudes para servir como um meio genuíno de troca na economia global. O banco mencionou o caráter descentralizado das criptomoedas — o bitcoin e seus imitadores são criados, transacionados e contabilizados em uma rede distribuída de computadores — como uma falha fundamental, não como uma força fundamental.


"Desastre"


Os pesquisadores também disseram que a corrida dos chamados mineradores de bitcoin para ser o primeiro a processar transações consome aproximadamente a mesma quantidade de eletricidade que a Suíça. “Em termos mais simples, a busca pela confiança descentralizada rapidamente se tornou um desastre ambiental”, disseram eles.


 As considerações do BIS chegam em um momento crucial da história da criptomoeda. Embora o Goldman Sachs Group, a Bolsa de Valores de Nova York e outras instituições estejam tomando medidas para oferecer aos clientes acesso ao novo mercado, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA está reprimindo as ofertas de novos tokens digitais, que considera repletas de roubos. Ao mesmo tempo, agressores cibernéticos estão atacando bolsas de criptomoedas regularmente — na semana passada, o bitcoin caiu depois que uma bolsa sul-coreana informou que tinha sido hackeada. O valor do mercado de criptomoedas despencou 53% neste ano, para US$ 280 bilhões, segundo a CoinMarketCap.


Alguns benefícios


O BIS também reconheceu que o blockchain e sua tecnologia de livro-razão distribuído forneceram alguns benefícios para o sistema financeiro global. O software pode tornar mais eficiente o envio de pagamentos transfronteiriços, por exemplo. E o financiamento comercial, o negócio de exportações e importações que ainda depende de faxes e cartas de crédito, de fato precisava das melhorias oferecidas pelos programas relacionados ao blockchain.


Ainda assim, a instituição concluiu que o grande avanço do bitcoin, a capacidade de uma pessoa enviar algo de valor para outra pessoa com a facilidade com que enviaria um e-mail, também é seu calcanhar de Aquiles. É simplesmente arriscado demais, em vários níveis, tentar administrar a economia global em uma rede descentralizada.

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