NOVOS TEMPOS, NOVAS ELEIÇÕES... E AS MESMAS VELHAS PRÁTICAS!

Ao contrário, com o inicio oficial das eleições no último dia 16 já é possível perceber que o método de obtenção de voto sofreu pouca alteração.

marcos holanda casagrande 19/08/2018 22:20:58 Eleições 2018
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Foto: Produção




Por Elizeu Lira


Os fatos ocorridos no Brasil nos últimos anos – manifestações de ruas em 2013, mensalão, impeachment e Lava Jato - apontavam para mudanças na forma de dialogo entre candidatos e eleitores nas eleições de 2018. Esperava-se uma institucionalidade maior entre votados e votantes, em que a reciprocidade esperada fosse respeito aos interesses coletivos, ao bem comum - e rejeição completa às velhas práticas que produziram aquelas situações. O desalento, a indignação e a descrença com a política, produzidos pelos eventos citados acima, não serão traduzidos em maior cuidado na escolha em que votar.


Ao contrário, com o inicio oficial das eleições no último dia 16 já é possível perceber que o método de obtenção de voto sofreu pouca alteração. Esta percepção não vem apenas pelo lado de quem precisa dos votos, os candidatos – mas também do lado de quem os ofertarão, os eleitores. Nos estados, os bastidores das candidaturas majoritárias – governadores e senadores – ou nas candidaturas proporcionais – deputados federais e estaduais – a engenharia construída para as campanhas reproduz os mesmos modelos das eleições desde sempre.


Nem mesmo o advento das redes sociais provocaram mudanças no modo de convencer os eleitores. A linguagem é a mesma e a abordagem física também. A caça às “lideranças”, aos cabos eleitorais reconhecidos e aos caciques mais localizados continua do mesmo modo, com as mesmas ofertas, os mesmos pactos em torno de nada e os mesmos compromissos de “reciprocidade”.  Já há um frenesi nas comunidades da periferia das cidades, entre lideranças populares e pessoas comuns, todos em busca de obter alguma renda trazida pelas eleições, como ocorre desde os tempos pretéritos. Neste ano, a renda é mais necessária ainda em função dos elevados índices de desemprego que assola o País. Campo fértil para os oportunistas de todo tipo - 


Não há estudos confiáveis sobre o quanto as campanhas eleitorais movimentam em dinheiro no estado de Rondônia, nem a quantidade de pessoas que auferem alguma renda trabalhando nelas. Mas, dada a dinâmica utilizada nas campanhas no estado, em que a lógica principal é a mobilização de verdadeiros exércitos de “lideranças” e “formiguinhas”, somado ao tamanho da sua população, é possível aferir que poucas pessoas não são alcançadas pelos recursos que circulam nas eleições. Isto é, sobram poucas pessoas não comprometidas financeiramente com uma das campanhas no estado. Portanto, são poucas as pessoas no estado de Rondônia que votam baseadas nas suas convicções. Esta situação retroalimenta o modelo histórico de se fazer campanha no Brasil, que o torna caro e descompromissado com o bem comum – já que as eleições são resultados de transações mercantis. 


Portanto, o modelo eleitoral adotado no Brasil parece estar imune aos eventos ocorridos no País nos últimos anos, como se fosse um mundo à parte. Para isso, contribui os que buscam votos e aqueles que, antes do período eleitoral, repudiam a política como elemento de transformação da realidade.


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