Trump acusa Amazon de prejudicar milhares de varejistas e pagar poucos impostos

Presidente volta a atacar a empresa de Jeff Bezos, também proprietário do "The Washington Post"

marcos holanda casagrande 30/03/2018 21:04:10 Mundo
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Donald Trump, na semana passada na Casa Branca. EVAN VUCCI AP




Donald Trump retomou nesta quinta-feira seus ataques à Amazon, o gigante do comércio eletrônico que está na mira do republicano desde que ele lançou sua candidatura à Casa Branca. Desta vez, acusou a companhia de pagar menos impostos do que deveria e de causar o fechamento de milhares de empresas do varejo. As práticas da empresa já foram criticadas em outros países e âmbitos, mas no caso de Trump o ataque tem outros ângulos. O fundador da Amazon, Jeff Bezos, é dono do The Washington Post, outra pedra no sapato do presidente norte-americano


A nova saraivada foi disparada no começo da manhã, após um mau dia para a Amazon nas Bolsas, com uma perda de mais de 4% do seu valor de mercado, puxada justamente pelo temor de que o Governo Trump venha a endurecer as regras para o comércio eletrônico. Um artigo do portal Axios havia relatado que o republicano está “obcecado” com a empresa queria ir “atrás dela”.


“Manifestei minha preocupação com a Amazon muito antes das eleições. Diferentemente de outras, pagam poucos ou nenhum imposto aos Governos estaduais e locais, usam nosso sistema postal como distribuidor (o que causa tremendos prejuízos para os Estados Unidos) e estão excluindo muitos milhares de varejistas do negócio”, disse Trump na sua conta do Twitter. E as ações da Amazon voltaram a cair


Nenhum presidente nos EUA costuma atacar pública e diretamente qualquer companhia, mas essa é uma das tradições que Trump rompeu assim que chegou ao cargo, criticando também a Apple por fabricar no exterior, a Boeing pelo custo dos seus aviões e, muito especialmente, os veículos de comunicação, com o Post, o The New York Times e a CNN à frente, pela maneira como cobrem suas atividades. No caso da Amazon, os dois assuntos confluem. Durante a campanha eleitoral, Trump acusou Bezos de usar o jornal como arma para fazer lobby. “Usa o The Washington Post para o poder, para que os políticos em Washington não cobrem da Amazon os impostos que deveriam cobrar”, disse.


As práticas fiscais da Amazon têm recebido críticas dos dois lados do Atlântico. A natureza digital da sua atividade a livrou durante anos do pagamento de tributos que outros distribuidores com estabelecimentos tradicionais precisam assumir. Isso, somado a algumas isenções fiscais e outros atalhos, permite que a empresa acabe desembolsando ao fisco, em termos relativos, menos que a metade que a rede de supermercados Walmart, o maior empregador dos Estados Unidos. Um relatório da S&P Global Market Intelligence determinou que, entre 2007 e 2015, a companhia de Bezos pagou uma taxa média efetiva de 13% (contando impostos locais, estaduais, federais e estrangeiros), quando o imposto federal para pessoas jurídicas era de 35%. A tributação média do Walmart, para efeito de comparação, foi de 31% nesse período.


O uso do serviço postal para as tarefas de distribuição também gera ressentimentos. Os analistas acreditam que a Amazon economiza dinheiro usando esses serviços em vez de contratar empresas de transporte de cargas, como a FedEx. O gestor de um fundo com investimentos nesta última companhia, Josh Sandbulte, queixou-se em meados do ano passado no The Wall Street Journal de que os Correios dos EUA ofereciam condições muito mais econômicas à Amazon, e que isso na prática era uma forma de subsídio disfarçado.


O crescimento da Amazon, que promoveu uma revolução no comércio desde a década passada, fez de Jeff Bezos o homem mais rico do mundo, ultrapassando Bill Gates. A empresa, que faturou três bilhões de dólares (dez bilhões de reais) no ano passado, pôs em xeque o comércio tradicional em muitas cidades.


Mas a inquietação com este assunto é surpreendente quando vinda de alguém como Trump, que promove uma guinada liberal na pauta econômica, com desregulação das atividades e grandes reduções tributárias. Choca também por vir de um magnata que escreveu um livro chamado The Art of the Deal (“a arte do negócio”), em que dá inúmeros conselhos sobre a negociação agressiva, e que alardeou durante a campanha eleitoral a sua habilidade para evitar o pagamento de impostos.


A porta-voz da Casa Branca negou na quarta-feira que houvesse um plano específico para atrapalhar a expansão da Amazon, mas no dia seguinte Trump disparou tuítes contra a companhia. Em meio à confusão, Wall Street apertou o botão de vender ações.

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Clique Brasil - Marcos Casagrande

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