O PERSONALISMO NA POLÍTICA, OS DILEMAS DO MDB E DE MAURÃO DE CARVALHO

marcos holanda casagrande 26/08/2018 22:10:52 Politica
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Por Elizeu Lira


Não é novidade falar sobre o personalismo na política brasileira, em que determinados políticos são maiores e mais importantes do que os partidos que os abrigam. O caso de Luis Inácio Lula da Silva e de Fernando Henrique Cardoso, em nível nacional, são os casos mais emblemáticos. No passado recente, Leonel Brizola encarnava a própria personalidade do PDT. 


Esse fenômeno pode ocorrer por duas razões. A primeira está fundada no controle da máquina partidária, em que o controle do poder burocrático e administrativo das instâncias de decisões serve para a continuidade do mando político e institucional da agremiação. A segunda razão é o capital político e o carisma que o político constrói ou acumula ao longo de sua atuação política, que se traduz em votos.  


O personalismo político também ocorre nos estados, onde as secções regionais dos partidos se escoram nos nomes que brilham mais que a legenda. No Maranhão, durante anos, o poder político do ex-senador José Sarney estava acima de todos os partidos do estado. O mesmo ocorreu no Ceará, com os irmãos Gomes se revezando no poder até bem pouco tempo. Em São Paulo, Mário Covas e Geraldo Alckmin controlaram o poder no estado por vinte anos, antes administrado por Franco Montoro, outra lenda política maior do que o seu partido.


No estado de Rondônia a situação não é diferente. Há nomes fortes que concentram poder político em dimensão maior do que o partido que controlam. Mesmo dentre os mortos, existem aqueles que sobrevivem ao tempo na memória de uma legião de seguidores saudoso até hoje. 


Nos dias atuais este fenômeno coloca o MDB de Rondônia numa situação controversa.  Há entre suas fileiras dois nomes que são maiores do que o partido, com espaços além dos seus limites.  De fato, Confúcio Moura e Valdir Raupp transcendem as fronteiras do partido e do estado, como quadros do MDB. A recente pesquisa do IBOPE dá aos dois somados mais de 55% da intenção de votos para o senado. Para entender a grandeza deste número, Confúcio tem mais eleitores dispostos a votar nele do que o candidato a governador mais bem avaliado na mesma pesquisa.


O dilema vem do seguinte paradoxo. Como pode o partido ter duas figuras de tamanha grandeza política ao mesmo tempo em que o seu candidato a governador patina em torno dos dez por cento das intenções de votos? 


Esta situação também se explica de duas formas. A primeira delas é a biografia do candidato ao governo escolhido pelo partido. Maurão de Carvalho, mesmo com cinco mandatos de deputado estadual e duas vezes presidente da Assembleia Legislativa nunca foi uma referência em carisma, ou mesmo um fenômeno eleitoral. A outra forma de explicar o dilema do MDB é entender o quanto as duas personalidades do partido estão dispostas a colocar os seus prestígios em favor do seu candidato a governador. Explica-se.


Confúcio Moura e Valdir Raupp precisam se eleger para darem fôlego aos seus projetos de poder, mesmo que por razões diferentes. A instabilidade política que assola o País produz insegurança eleitoral mesmo para figuras de tamanha dimensão política. Isso os leva a buscarem suas eleições de forma agressiva, incessante e determinada. Para isso, necessitam potencializar o personalismo que os marcam, cada um a seu modo. Com isso, se distanciam do candidato Maurão de Carvalho, pois este não possui os atributos que caracterizam os dois.


O dilema do MDB se materializa na seguinte equação: ou as duas estrelas do partido relativizam seus brilhos, e permitem a ascensão de Maurão, ou se dedicam efetivamente ao candidato a governador, colocando luzes sobre ele. De outro modo, resta ao candidato Maurão de Carvalho se impor como figura virtuosa em relação aos dois.


Seja como for, para que sejam efetivadas, as duas opções exigem altruísmo por um lado, e ousadia por outro.  


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